
Agatha chega a Los Angeles para fins pessoais, enquanto Havana Segrand tenta conseguir o papel de protagonista no remake do filme que consagrou sua mãe como uma ótima atriz e Benjie Weiss se prepara para iniciar as gravações do "sequel" de uma comédia. A vida dessas e várias outras pessoas são amarradas por Hollywood de um jeito único e cinematográfico.

Entre as vidas, os filmes, os corações e os amores, os únicos livres do fogo são os alheios.
Obras que falam sobre outras obras e, principalmente, sobre as vidas das pessoas envolvidas nas produções das mesmas, geralmente causam um grande interesse. Um grande exemplo disso foi Birdman, grande vencedor do Oscar 2015, levando, entre outros, os prêmios de Melhor Filme e Melhor Diretor. É aqui que entra Mapas para as Estrelas (Maps to the Stars), que faz alguns questionamentos parecidos com os de Birdman, mas segue por um caminho um pouco diferente.
O roteiro, escrito por Bruce Wagner, é dirigido por David Cronenberg e estrelado por Julianne Moore, Mia Wasikowska, John Cusack e Evan Bird, entre outros. Peter Suschitzky é o responsável pela fotografia e Howard Shore, que já está ficando conhecido por aqui, é o responsável pela música.

Gostaria muito de ser objetivo e dizer, logo de cara, se, para mim, o filme é bom ou se não é. Infelizmente, isso não somente é desnecessário, como também é desinteressante para o próprio filme. O tempo todo fica subentendido que, para os idealizadores desse filme, a convenção social sobre sua qualidade (ou a falta dela) é meramente ilustrativa. Tanto é que, mesmo sendo um filme de drama, algumas cenas destoam e soam completamente falsas, plásticas e mal feitas. Mas a qualidade não importa, porque o foco delas é a crítica que deseja ser apresentada.
Falando em crítica, a de Mapa para as Estrelas é bem pontual (no sentido de que você sabe sobre quem ou o que ele está falando) ao mesmo tempo é que é relativamente vaga (no sentido de que você nem sempre sabe o que estão tentando dizer). A comparação com Birdman é muito válida, a partir do momento em que o foco da situação é a crítica às homéricas Batalhas de Egos existentes em Los Angeles e em toda a esfera de produção cultural. Por outro lado, a enorme superficialidade das personagens mesclada ao visível desespero das mesmas em encontrar algum sentido/motivo nas coisas e ao sentimento de decadência passado durante o filme lembra, em muito, A Grande Beleza (La Grande Belezza), vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro na cerimônia de 2014. Salvas as devidas diferenças, como a ausência de um protagonista como Jep e o fato de a cidade, em Mapa para as Estrelas, não ter tanto tempo de tela quanto tinha Roma em A Grande Beleza, os dois filmes conversam muito bem.

Além disso, as atuações estão muito boas. Desde Evan Bird, apenas em seu segundo longa, até Julliane Moore, que levou inclusive uma indicação ao Globo de Ouro por sua performance nesse filme. Moore é, sem dúvida, o maior destaque aqui. Interpretando uma atriz tresloucada, cheia de botox, que tem problemas psicológicos pelo suposto abuso que sofreu da mãe, a atriz consegue impressionar tendo momentos de puro drama e, logo em seguida, momentos em que consegue soar como uma pessoa extremamente mimada, superficial e detestável.
Aliás, alguns dos temas apresentados de forma bem ampla durante o filme são o Incesto, a Morte e a Decadência, junto com algumas coisas menores como o próprio pós-vida, a lucidez, os fantasmas do passado (figurativos ou literais) e a ideia de pessoas descartáveis, substituíveis que giram em torno da grande roda que é Hollywood. A fotografia não apresenta nenhum aspecto além do comum, assim como a trilha sonora.
Em resumo, Mapas para as Estrelas é um filme intrigante, que não se preocupa em entregar uma narrativa redonda e linear para seus espectadores, mas entrega algo tão interessante quanto.
