
Durante o final da Segunda Guerra Mundial, um grupo de cinco soldados americanos é encarregado de atacar os nazistas dentro da própria Alemanha. Apesar de estarem em quantidade inferior e terem poucas armas, eles são liderados pelo enfurecido Wardaddy, sargento que pretende levá-los à vitória, enquanto ensina o novato Norman a lutar.

A Segunda Guerra Mundial sempre foi um assunto recorrente em longas-metragens. Corações de Ferro (Fury) se passa em um cenário onde os Aliados praticamente já venceram a batalha, e deixa de lado as motivações da guerra para contar um pouco sobre as peculiaridades de 5 soldados responsáveis por operar um tanque de guerra, em pleno território nazista.
O filme é escrito e dirigido por David Ayer, e muito bem estrelado por Brad Pitt, Shia LaBeouf, Michael Peña, Jon Bernthal e
Apesar de possuir uma premissa interessante, o enredo deixa a desejar. Mais da primeira metade do filme é dedicada ao desenvolvimento dos personagens, trazendo uma lentidão desnecessária que não se justifica, já que a segunda metade acaba se mostrando burocrática e previsível. Em resumo, parece ser apenas um blockbuster just for fun que não se assumiu, e tentou forjar uma profundidade que se mostrou inexistente.

Por outro lado, é notório o grande trabalho de interpretação dos atores para dar vida ao grupo que, em meio a guerra, é quase uma família. Funcionaria mesmo se o filme tivesse apenas 90 minutos, e um pouco mais de ação. Destaque para Brad Pitt, que mostra todo seu potencial fazendo papéis parecidos de maneiras completamente diferentes, e para Logan Lerman, que vem conseguindo se desvincular de Percy Jackson, contando também com a versatilidade.
Ao contrário de Sniper Americano, onde ocorre uma glamourização da guerra, Corações de Ferro apresenta o lado sujo, a falta de recursos e a morte, trazendo ao espectador o mesmo incômodo sofrido pelo personagem principal. Norman é um novato no campo de batalha, então aprendemos junto com ele como funciona Fury, o taque de guerra que é ponto alto do filme.

É tenso e divertido assistir à investida de um tanque de guerra. Ao mesmo tempo que a fortaleza móvel parece inabalável, um único erro pode (literalmente) mandar tudo pelos ares. Essa nova perspectiva de se ver um combate de guerra traz um contraponto positivo ao roteiro, que possui uma "jornada do herói" completamente clichê.
Na falta de uma desculpa famosa que diz: "baseado em fatos reais", Corações de Ferro, como uma obra ficcional, peca na falta de coragem, trazendo uma história que já foi contada de várias formas nos mais diversos universos possíveis. Mas ganha pontos nos quesitos técnicos, e na ótima ambientação de soldados, que possuem um veículo de guerra como lar. Cabe a um dia despretensioso, mas está longe de ser um filme que vai ser lembrado como "um clássico de guerra".
"O melhor trabalho que já tive."
