
Após cair de um abismo, no desfecho do arco Morte da Família, o Coringa volta dos mortos com todas as forças, um novo rosto e um plano que ultrapassa as barreiras da loucura, até mesmo para ele.

No dia 26 de setembro foi comemorado o Batman Day, uma data criada pela DC Comics para celebrar o dia em que Bruce Wayne se tornou Batman pela primeira vez. A própria data é, em si, controversa, porque existem duas linhas de pensamento: uma que defende que Wayne só se tornou Batman quando vestiu o manto pela primeira vez, em um dia 26 de setembro, e uma que defende que o jovem Bruce se tornou Batman no dia do assassinado de seus pais, no dia 26 de junho.
Mas a discussão aqui não é essa. Para prestar uma humilde homenagem ao Dia do Batman, vou falar sobre o arco Endgame, que tem o roteiro assinado por Scott Snyder e a arte coordenada por Greg Capullo e marca não só o retorno do (até então falecido) Coringa às histórias do Cavaleiro das Trevas, como também marca o fim do Batman na era dos Novos 52.
A trama começa muito simples, mas vai se tornando mais complexa a cada passo que o leitor dá em direção à nova mitologia que vai se construindo ao redor do Coringa. Uma história que parece boba, a princípio, com roteirismos que ajudam o Batman a vencer toda a Liga da Justiça em uma luta, se torna uma história que levanta sobrancelhas mesmo daqueles que torcem o nariz para as novas histórias do Homem Morcego, por causa da conotação teen do selo dos Novos 52.

Afinal, o que é tão divisor de águas assim? Simples: ao voltar dos mortos, o Coringa começa a ter várias mitologias diferentes atribuídas a ele. Alguns passam a dizer que ele é uma entidade que esteve em Gotham desde antes de sua fundação, alguns afirmam que ele é um alienígena e outros chegam a afirmar que ele é a própria encarnação do Demônio. Mas todos os rumores e lendas apontam para a mesma figura - O Homem Pálido.
Uma vez que o leitor não sabe se qualquer uma destas histórias é verdade (mas alguma delas precisa ser, porque ele deveria estar morto), Batman precisa investigar o mistério por trás do retorno do Coringa, que está intrinsecamente ligado à onda de loucura que se espalhou por Gotham e afeta todos os seus habitantes. Paralelamente a isso, somos apresentados a várias ilusões do próprio justiceiro encapuzado, com várias visões diferentes relacionadas à sua própria morte, como se sentisse, de certa forma, o fim iminente.
A trama é escrita de forma excelente e instigante, mas não é a única característica interessante neste arco. As artes de Greg Capullo também estão muito inspiradas. Algumas decisões estéticas falam muito, mesmo que não haja uma linha sequer de diálogo. Um dos maiores exemplos disso é a utilização de um coração partido, formado por sangue, que liga o Coringa a Batman, simbolizando (e, de certa forma, celebrando) todos os 75 anos de embate entre os dois arqui-inimigos. O traço rápido e esguio de Capullo nos permite entender de forma clara e quase crível toda a ação que se passa no quadrinho, não nos perdendo em momento algum durante a ação.

Mas não só de Batman e Coringa se alimenta o arco Endgame. O plano executado pelo Coringa leva não só a já mencionada Liga da Justiça a Gotham, como também reúne toda a família e o panteão de vilões do Morcego no meio do tabuleiro caótico que se torna Gotham City. A própria cidade, como em várias outras histórias, assume a posição de personagem e interage com aqueles que ali se encontram.
Batman: Endgame é o ápice da carreira do Cavaleiro das Trevas na mão da dupla Snyder/Capullo até agora, marcando o fim da era dos Novos 52 para o Homem Morcego (o arco seguinte já se passa após a Convergência, novo reboot do Universo DC). Nos lembra da importância de um universo bem construído e, acima de tudo, nos relembra que a história daquele vigilante que vaga pelas ruas vestido como morcego é uma tragédia, no sentido mais clássico da palavra.
