118 Dias

Rosewater
SINOPSE
O filme conta a história real de  Maziar Bahari, repórter da revista News Weekly, que foi preso e torturado no Irã sob o pretexto de suspeita de espionagem, enquanto estava simplesmente fazendo a cobertura das eleições e manifestações de 2009.

As cinebiografias estão em alta. A própria cerimônia do Oscar de 2015 apresenta uma confirmação disso, quando, entre os oito indicados à categoria de melhor filme, quatro podem ser classificados como biográficos. 118 Dias (Rosewater) também é biográfico e chega a dar uma aula para alguns filmes do "gênero", incluindo alguns indicados a Oscar (Teoria de Tudo, a bronca é contigo).

Utilizando a autobiografia "Then They Came for Me: A Family's Story of Love, Captivity, and Survival", do próprio Maziar Bahari, como base, Jon Stewart assina e dirige o roteiro. O filme é estrelado por Gael Garcia Bernal, que contracena com Dimitri Leonidas, Kim BodniaHaluk Bilginer. A fotografia é comandada por Bobby Bukowski e a música fica a cargo de Howard Shore.



É incrível notar como, quando disposto, um filme consegue explorar diferentes lados da mesma moeda, assim como emocionar e divertir com a mesma habilidade paradoxal com que causa empolgação e apreensão no espectador. Aliás, isso é algo que o filme faz muito bem. Não existe qualquer tipo de omissão na abordagem que é feita da história. Parte disso talvez seja pelo fato de o autor da autobiografia, na qual o filme se inspirou, ser um jornalista, logo tendo certa preocupação com o quebra-cabeças completo, ao invés de se preocupar com a pequena peça que ele é.

Aliás, este talvez seja o maior mérito do filme, no fim das contas. Mas isso não é feito de forma descarada e agressiva. Muito pelo contrário. Existe uma preocupação muito grande em mostrar como O Especialista, aquele que toma para si o papel de carrasco do protagonista, não passa de mais uma vítima do sistema: alguém que precisa manter seu emprego, cumprindo as missões que lhe são designadas. Mas essa preocupação se apresenta em tela de forma muito leve e sutil, com pequenos olhares de hesitação, sorrisos e rugas da personagem.


O filme tem uma divisão clara em três partes (ou atos), que seguem de forma muito linear a estrutura básica de narração de histórias, que podemos considerar, de forma grosseira, como introdução, conflito e resolução. Cada uma das partes tem um clima diferente das outras duas, com a segunda tendo um ritmo um pouco mais lento que as outras duas, mas, dentro do conjunto da obra, as três interagem de forma muito natural.

As atuações estão excelentes e Gael Garcia BernalKim Bodnia dividem a tela com igualdade, mesmo que Bernal tenha uma carreira mais expressiva no âmbito internacional. Até as personagens menores conseguem ser muito críveis e humanas, com características muito interessantes, seja no que vem do texto ou no que diz respeito aos atores.


A fotografia do filme não chega a ser excepcional, mas é bastante interessante: pontua bem o filme com escolhas de filtros, razões de tela e até mesmo de utilização de vinhetas. Aliada a uma boa utilização de efeitos visuais, transforma o conjunto de aspectos visuais do filme em algo digno de nota. A trilha sonora também é sensacional.

Em resumo, 118 dias é um filme obrigatório para jornalistas e entusiastas da Comunicação, que fala sobre o poder da paixão pela profissão e de um mundo globalizado. Conta com grandes interpretações, ótimos aspectos técnicos e não subestima a capacidade do espectador, deixando a cargo dele, inclusive, a resposta para questões como "quem está mais assustado: quem recebe a bala ou quem aperta o gatilho?"
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