
Eggsy é um jovem filho de um agente secreto que morreu em serviço, protegendo a vida de Harry Hart e outros companheiros. Ao conhecer o Serviço Secreto chamado Kingsman, Eggsy tenta se tornar um deles enquanto Vic. Valentine desenvolve um plano para salvar o mundo de formas não-convencionais.

A repetição de uma parceria de sucesso, com resultados igualmente divertidos.
O número de adaptações cinematográficas de histórias em quadrinhos vem crescendo bastante, de uns tempos para cá. Não necessariamente apenas no ramo dos Super-heróis, mas com diversos tipos de histórias. No ano de 2010, Matthew Vaughn apresentava Kick-Ass: Quebrando Tudo, cujo roteiro ele adaptou e dirigiu com base na história em quadrinhos de Mark Millar e John S. Romita Jr. Em 2015 a parceria se repete com Kingsman: Serviço Secreto (Kingsman: The Secret Service).
Baseado na HQ de Mark Millar, o filme é dirigido por Matthew Vaughn e estrelado por Colin Firth, Samuel L. Jackson, Michael Caine e Taron Egerton. A parte musical foi organizada por Henry Jackman e Matthew Margeson, enquanto a fotografia é resolvida por George Richmond. A edição também é um diferencial deste filme, sendo responsabilidade de Jon Harris e Eddie Hamilton.
Para ser rápido e objetivo, é preciso logo dizer que Kingsman: Serviço Secreto é, com certeza, um dos filmes mais divertidos entre os que teremos em 2015. O filme, apesar de ter uma trama grandiosa em certos aspectos, dificilmente se leva a sério e se entende como uma simples obra de entretenimento (literalmente). As referências a vários filmes de espionagem, como os da série de James Bond e do Jack Ryan, inclusive com a inclusão de uma antagonista extremamente caricata (também como alguns vilões do Bond), ajudam a concretizar essa leveza.

Além disso, existe um processo de estetização da violência, que deixa as barreiras entre a realidade e aquele universo ficcional muito altas. Sendo assim, mesmo que exista uma cena de pura destruição que dure vários minutos ao som de uma música de rock, o sentimento geral é de euforia, e não de terror ou preocupação. O tratamento dado à violência nesse filme não é só plástico, mas também tem uma carga de muita despreocupação, fazendo uma sequência de violência ininterrupta, que chocaria em outras abordagens, provocar diversão e descontração.
Falando em descontração e diversão, as duas parecem ter sido imperativas até no processo de produção do filme. Colin Firth e Samuel L. Jackson, principalmente, parecem estar se divertindo muito com seus papéis, dando características muito interessantes a suas personagens e deixando bem claro para o espectador que estão muito confortáveis e animados. Os outros atores também passam essa impressão (até o My Cocaine, que de uns tempos pra cá tem sido sempre uma versão dele mesmo, nos filmes).

Isso já foi dito antes, mas é importante ressaltar: O filme é muito violento! Não vá assistir esperando ver um filme de espionagem com o apelo gráfico dos novos filmes do James Bond, por exemplo. A porrada come solta, o sangue voa, as pessoas são partidas ao meio, os filhos choram e as mães não vêem. Então não esqueça de se preparar para esse tipo de coisa. Mas é como foi dito, também: apesar de a carga de violência ser muito intensa, o tratamento estético dado a ela faz com que isso seja um pouco amenizado, com um tom mais plástico e até cômico.
A narrativa é muito interessante e o vilão, Vic Valentine, chega a um nível de genialidade que chega a convencer o próprio espectador de que seu plano maluco e doentio é algo que o nosso planeta e a nossa raça precisam. Apesar de as mulheres ficarem em segundo plano, aqui, elas têm algumas ações e personalidades dignas de nota, assim como as atrizes que as interpretaram.

Como muito já foi falado sobre o apelo estético do filme, resta apenas comentar sobre a trilha sonora, que, tanto na musical quando na incidental, é um estouro. Com músicas bem empolgantes e agitadas, o filme consegue trazer bem a urgência e a tensão de alguns momentos, misturando um pouco da euforia que já foi comentada.
Em resumo, Kingsman: Serviço Secreto, pode ser considerado como uma das surpresas do ano. Com pouca divulgação, como um trailer que (felizmente) não mostra nada e um poster que não faz jus ao que apresenta, o filme consegue ser intenso como bons filmes de espionagem e, com a mesma força, ser engraçado como as melhores comédias da atualidade. Definitivamente, um filme que merece ser visto no cinema.
