
Jupiter Jones é a descendente de uma linhagem que a coloca como a próxima ocupante do posto de Rainha do Universo. Sem saber disto, ela segue sua vida pacata trabalhando como empregada doméstica nos Estados Unidos, país onde vive após deixar a Rússia. Um dia, ela recebe a visita de Caine, um ex-militar alterado geneticamente que tem por missão protegê-la a todo custo e levá-la para assumir seu lugar de direito.

A frase "dos mesmos criadores de Matrix" já transmitiu vários sentimentos diferentes ao longo dos anos. Começou com a expectativa; caminhou entre a esperança e a incerteza; e hoje, é apenas descrença. Matrix se mostrou uma obra genial dos Irmãos Wachowski, e não, uma obra dos geniais Irmãos Wachowski, como se pensava a princípio.
O Destino de Júpiter (Jupiter Ascending) é quase um "jogo das mil referências", aquele tipo de filme que separa tudo que fez sucesso, joga em um liquidificador e serve uma mistura estranha e sem personalidade. O que, infelizmente, vem acontecendo com uma frequência elevada.
O filme é escrito, produzido e dirigido pelos Irmãos Wachowski, e seu elenco conta com Mila Kunis, Douglas Booth, Doona Bae, Channing Tatum e Eddie Redmayne (que ganhou o Oscars de Melhor Ator em 2015).

O roteiro segue a tendência (da pior maneira possível) de filmes young adults, mas é quase um insulto para o gênero. Possui uma história fraca com diálogos malucos, paixões intensas de 15 minutos, personagens sem camisa e uma glamourosa troca de roupas (ao melhor estilo Jogos Vorazes) a cada planeta visitado.
Tudo parece acontecer no universo de O Guia do Mochileiro das Galáxias, algumas semelhanças são claramente perceptíveis, como: a ingenuidade dos seres humanos perante ao universo; a burocracia Vogon; caronas espaciais; e, até mesmo, um "livro guia" de regras do universo (dica: divirta-se encontrando nas cenas, detalhes que você já viu em outros lugares).
Ainda não consegui descobrir se O Destino de Júpiter é um filme que se leva a sério, ou não. Apesar de parecer uma constatação leviana, é importante saber pelo seguinte motivo: existem algumas referências a filmes - como, por exemplo, Sinais e Star Wars - que podem ocasionar gargalhadas, caso seja uma grande brincadeira. Por outro lado, se forem cenas sérias, a reação seria algo mais voltado a vergonha alheia. Eu, particularmente, ri das situações, e espero que você seja uma pessoa espirituosa.

Tomara que até aqui, minha (não) crítica não tenha parecido rude demais, já que escrevi com um meio sorriso no rosto. Porém, vamos mudar os ares; agora é a hora de exaltar os pontos bacanas. O filme é visualmente interessante, a estética dos personagens humanóides é um misto de maquiagem real e digital, lembra produções oitentistas, mas mantém o nível de qualidade atual. Cada alienígena possui uma peculiaridade, e é interessante de se observar.
O forte gosto dos Irmãos Wachowski pela cultura japonesa transparece no design das naves, armas e tecnologia em geral. Tudo parece ter vindo direto de um mangá sci fi, com peças que não se conectam mecanicamente, mas sim, com uma espécie de magnetismo gerado por ondas elétricas. As cenas de ação também são dignas de quadrinhos, recheadas de batalhas aéreas e armas de propulsão. Contudo, a obviedade do roteiro - mais uma vez - é desanimadora.

Em suma, O Destino de Júpiter é um filme onde o elenco e a produção tentam fazer sua parte, mas o roteiro e a direção parecem estar lá para atrapalhar. Não foi dessa vez que os Irmãos Wachowski brilharam novamente, mas será que este dia chegará? Ou será que Matrix sugou toda a energia criativa dos irmãos? Por hora, apenas não alimente o monstro que chamamos, carinhosamente, de Expectativa.
