
Quando Chappie, um guarda da polícia androide, é sequestrado e reprogramado, ele se torna o primeiro robô com capacidade de pensar e sentir por si mesmo. Isso faz com que forças poderosas e destrutivas comecem a ver Chappie como uma ameaça para a humanidade e a ordem.

"Não deixe as pessoas levarem seu potencial, Chappie."
O diretor Neil Blomkamp, apesar de ter poucos longas, já é um nome a ser lembrado quando o assunto é ficção científica. Depois do fantástico Distrito 9, que entra facilmente para qualquer lista de Melhores Ficções Científicas da Década, o cara apresentou Elysium, que pode ser considerado como um filme mediano nas mais severas avaliações e agora, com Chappie, conseguiu fazer o que ainda não tinha feito: um filme ruim.
O roteiro é assinado por Terri Tatchell e Neil Blomkamp, que também dirigiu o filme. No papel de Chappie está seu companheiro de longa data, Sharlto Copley, que trabalha com Dev Patel, Sigourney Weaver, Hugh Jackman e outros. Trent Opaloch é responsável pela fotografia e Hans Zimmer fica a cargo da trilha sonora.
O timing de Chappie é perfeito: o ano de 2014 foi marcante para a tecnologia, pois tivemos o primeiro caso de uma máquina que passou no Teste de Turing (entenda o que é o teste aqui). Imagina-se, assim, que isso talvez seja um Ás na manga de um filme que trata justamente de Inteligências Artificiais. Acontece que não é: o filme consegue escolher a pior abordagem possível para o tema.

Segundo a ciência apresentada para o filme, quando Chappie fosse acordado como uma verdadeira Inteligência artificial, seria como uma criança que precisa ser ensinada desde o básico, ao contrário de seus outros camaradas robôs, que sabem do que precisam saber através de suas programações. A ideia genial do roteiro foi colocar Chappie para ser criado por dois personagens nada carismáticos: bandidos que o ensinam coisas nefastas e poderiam, sinceramente, ter saído de cena de algum jeito ao início do filme.
A discussão sobre inteligências artificiais, que imaginava-se ser o principal motivo do filme, vira um mero detalhe no meio da comédia de erros à qual o filme se submete: tão superficial que chega a ser desnecessária.
Apesar de as atuações estarem boas, as personagens não estão. Sigourney Weaver não tem sequer o suficiente para trabalhar em sua personagem, enquanto Hugh Jackman é tão frustrantemente apontado como antagonista, construindo inclusive uma versão alternativa de ED 209, do Robocop, para chamar de sua e controlar como um louco. Apesar de a personagem de Dev Patel estar quase interessante, apesar da boa atuação, no fim das contas Chappie é a personagem mais carismática e humana do filme.

É possível que a trilha sonora seja o melhor aspecto do filme. De músicas intensas de momentos de ação a melodias tenras de ninar, a trilha de Hans Zimmer consegue salvar vários momentos em que o próprio texto deixa um pouco a desejar. A fotografia, também ajuda bastante, criando alguns planos belíssimos. A criação visual de Chappie e de todos os robôs também está ótima.
No fim das contas, Chappie é um filme que, apesar de divertido, não consegue ir muito além disso. A pergunta é: a culpa é nossa, por esperarmos muito de Neil Blomkamp ou é dele, por não entregar o suficiente? De qualquer forma, o filme vai contra um dos ensinamentos de seus próprios personagens, deixa que levem seu potencial e se torna algo inédito na carreira do cineasta. O que nos resta é a esperança de que o erro não se repita em Alien 5.
