Hotline Miami 2: Wrong Number


SINOPSE
Concluindo uma brutal saga, Hotline Miami 2 conta com um cenário de violência e de vingança sobre o sangue derramado no jogo original. Siga o caminho de várias facções distintas - cada um com seus próprios métodos questionáveis e motivações incertas.



Holine Miami 2: Wrong Number. O sangue que brilha em cor néon.

Na nossa infância, pixels representavam várias coisas. Blocos coloridos preenchiam nossa imaginação. Consigo me lembrar de jogos do Nintendinho, onde apenas cores e caixas eram o suficiente para que eu e meu irmão conseguíssemos identificar objetos e gerar brincadeiras com diferentes interpretações. Eram tempos mais simples, tudo era inocente e difícil. Jogos eram desafios e nossas habilidades eram testadas ao limite de nossas mentes infantis.

Criado pelo estúdio suíço independente Dennaton Games e distribuido pela Devolver, Hotline Miami 2 chegou para Playstation 3, 4, vita e PC. Com uma estética em pixels e “retrô”, o jogo promete concluir a história iniciada em Hotline Miami 1, embora sua narrativa seja confusa, é possível ligar fatos e se divertir durante o percurso.

Hotline Miami traz essa estética à tona, uma estética de câmera 2D e gráficos pixelados onde precisamos colocar nossa imaginação para trabalhar. Queria dizer o mesmo sobre a inocência e a simplicidade, mas não posso. Hotline Miami se trata da violência nos videogames, do ato de desligarmos nossa mente para o externo e nos focamos em matar, não há nada infantil nisso, mas tudo tem uma razão, tudo tem seu motivo, cabe a você jogador aceitar ou ignorar, afinal... estamos falando de videogames.


Desde quando aprendi que videogames podem ser interpretados como emoções e as vezes superação, percebi que nada depende de gráficos ou do visual e sim do que podemos retirar de cada experiência, posso parecer repetitivo ou piegas, mas Hotline Miami 1 me mostrou que em certos momentos precisamos refletir sobre nossos atos: que mesmo quando se trata apenas de um jogo, somos nós no controle, e mesmo sendo tudo virtual, temos responsabilidade sobre a nossos atos. É possível refletir sobre essas características em um jogo pixelado e "feio", é possível termos a reflexão da violência sobre atos impensados.

Até agora falei sobre a essência de Hotline Miami 2, mas falando superficialmente sobre seu conteúdo, o jogo se trata de um personagem que recebe ligações misteriosas e ao atende-las, percebe que nada faz sentido, são mensagens aleatórias e sem nexo, entretanto de alguma forma o personagem entende que se trata de uma missão cujo o objetivo é cumprir uma série de atos violentos, é como se houvesse uma doença pairando na Miami dos anos 80 e 90.

O jogador por sua vez no âmbito do personagem, deve ser rápido e preciso na tentativa de cumprir a missão, tudo consiste em tentativa e erro, tudo envolve uma grande sensação de drogas e anos 80, a música te induz a ser visceral, as cores pulsam psicodelicamente na tela, pode haver sangue e restos humanos no caminho, mas é tudo resultado, nada que te impeça de repetir os mesmos atos, talvez no sentido literal, nos tornamos animais, vestimos máscaras e assumimos papéis irracionais, essas máscaras tornam a experiência mais grotesca, pois revelam que não existe bem ou mal no mundo de Hotline Miami 2, apenas crueldade.


Violência é o resultado final de Hotline Miami 2, o jogo começa onde o primeiro acaba, tudo se completa e eu acredito que a sua curva de aprendizagem não é das mais simples, é possível perceber que o tutorial do segundo jogo não é tão fácil quanto o do primeiro e mesmo que os dois sejam relativamente parecidos, Hotline Miami 2 é em alguns momentos injusto.

Essa injustiça de Hotline Miami 2 é baseada em uma dificuldade um tanto exagerada, em alguns momentos a morte é repetitiva, em um piscar de olhos já estamos mortos, isso não é divertido, apenas frustrante. Existem momentos em que a mecânica de morte e regresso se tornam uma parte mais frequente no jogo que o simples ato de andar, morrer e apertar o comando de restart acaba virando um círculo vicioso chato.

Compensando a dificuldade frustrante, temos a trilha sonora. A seleção de músicas do jogo continua impecável, a trilha flui juntamente com a jogabilidade e empolga da maneira certa, Hotline Miami 2 é um jogo que não precisa de muita cautela durante o gameplay, por esse motivo há na trilha sonora um incentivo em agir dessa maneira, alguns podem até argumentar que as músicas de Hotline Miami estão acima da qualidade do próprio jogo, mas digamos que seja uma peça que completa todo o produto.


Temos por final um jogo empolgante que dependendo da ocasião, pode ser uma válvula de escape ou apenas um instrumento de diversão. Tendo em mente que o jogo trás um visual semelhante aos jogos da era 16-bits (algo comum atualmente), certamente vale a sua atenção.
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