Pixels

SINOPSE
Quando alienígenas intergalácticos descobrem feeds de vídeo de jogos clássicos de fliperama e os interpretam como uma declaração de guerra, atacam a Terra usando os videogames como modelos para seus ataques. Agora o presidente dos Estados Unidos precisa convocar seus velhos amigos dos antigos fliperamas para salvar o mundo.

"Deixem os nerds no comando."

Essa é, basicamente, a frase que resume Pixels, o novo filme da Sony. Nele, um novo retrato de invasão alienígena é pintado, mas de forma extremamente descontraída, a partir do momento em que os vilões vêm em forma de videogames dos anos 80. Mas acredite: a ameaça apresentada por essa manifestação extraterrestre é a menor de todas as que existem no filme.

Pixels é dirigido por Chris Columbus e estrelado por Adam Sandler, Michelle Monaghan, Peter Dinklage e Josh Gad, entre outros. Henry Jackman é responsável pela trilha sonora do filme, enquanto a fotografia é coordenada por Amir Mokri.

Adam Sandler é um nome que, definitivamente, traz discórdia para as discussões mais casuais sobre cinema. Por estar presente em muitas produções que possuem qualidade duvidosa, mas cuja simpatia é inegável, o ator atrai os mais diferentes tipos de olhar. Aqui, seu papel se encaixa perfeitamente em seu estilo: o adulto que poderia ter feito grandes coisas com o talento que lhe foi dado, mas, por ironia do destino, acabou se contentando com pouco. O tipo "fracassado carismático" lhe cai muito bem.


Junto a ele surgem várias personagens detestáveis interpretadas pelos mais diversos níveis de atuação. Peter Dinklage e Josh Gad são dois nomes que se destacam nesta relação. O primeiro, que interpreta o ridículo Eddie (A.k.A. Fire Blaster), é muito conhecido por sua atuação excelente em Game of Thrones e empresta à sua personagem trejeitos de vilania menor. O segundo ficou mais conhecido por emprestar sua voz a Olaf, de Frozen, e faz um trabalho de atuação que deixa sua personagem parecer uma mistura de uma versão fracassada de Jonah Hill com o Leandro Hassum em um dia ruim.

Uma justificativa que o filme nos leva a imaginar é a de que isso acontece, simplesmente, porque as personagens não importam. O que importa é o que elas significam dentro do contexto. Esse contexto, por sua vez, o filme deixa bem claro: se trata do sonho molhado de um adolescente cuja maior habilidade é ser bom em algum jogo, assim como o protagonista do filme. Todos os estereótipos de "soberania nerd" estão lá. Alguns exemplos: o nerd que consegue um ménage à trois, o cara que vira alguém muito importante, o que consegue uma namorada gostosa e, claro, o nerd que descola uma linda namorada gamer, para viver altas aventuras a seu lado. Estes estereótipos talvez fizessem sentido se o filme fosse lançado há uns dez anos, antes da Cultura Pop transformar o nerd no cara mais descolado da escola.

A trama do filme é bem simples e não gasta muito tempo para explicar as coisas. Isso mostra eficiência e controle por parte dos seus idealizadores. "Nossa missão aqui não é discutir, e sim divertir", é o que o filme deixa a entender em alguns momentos. Essa seria uma iniciativa corajosa e totalmente válida se ele chegasse, pelo menos, perto de ser tão divertido quanto parece.


A parte visual é interessante. Os efeitos, na maioria, estão muito bem colocados e a fotografia não conta com planos extremamente incríveis, mas se sai bem. Porém existem alguns momentos, que são poucos, ainda que longos, em que a utilização do fundo verde se torna não só perceptível, mas gritante. É uma relação complicada.

Por outro lado, a parte sonora arrebenta. Com uma edição de som que se preocupou em desenvolver cada aspecto de cada videogame apresentado aliada a uma trilha sonora que traz várias músicas sensacionais dos anos 80 de volta à tona, o filme se resolve muito bem auditivamente. É uma pena que esta qualidade não seja aplicada a todos os aspectos.

Em resumo, Pixels é um filme que leva a nostalgia oitentista, principalmente no nicho gamer, a um nível extremo e que conversa mais com o público adulto. Por outro lado, é uma pena que isso seja feito através de personagens tão insuportáveis e que o timing para o humor, que se mostra como o gênero secundário, seja tão ruim.
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