A Possessão do Mal

SINOPSE
Michael King não acredita em religião, espiritismo ou fatos paranormais. Enfrentando a morte da esposa, ele decide fazer seu próximo filme ligado à busca da existência de forças sobrenaturais. Michael permite que vários praticantes de artes ocultas testem os rituais mais pesados nele na intenção de provar que tudo é um mito. Porém, algo acontece.

Existe algo em mim que não lida bem com filmes de terror. Pessoalmente, é um gênero com o qual eu não tenho uma relação muita afinidade. Talvez isso aconteça por causa da ausência de contato que eu tenho com esse tipo de filmes que, por sua vez, é uma circunstância causada pelo fato de eu ter sido, a vida toda, um cagão de primeira categoria.

O fato é que, pra mim, um filme de terror se classifica ou como algo que me surpreende e de que eu gosto muito ou como algo que me deixa decepcionado. A Possessão (BEJSNS) é duplamente decepcionante: não contente em simplesmente ser do segundo grupo, o filme te leva a acreditar, por alguns momentos, que é do primeiro.

Escrito e dirigido pelo estreante David Jung, que nunca dirigiu ou escreveu, o filme é protagonizado por Shane Johnson, Ella Anderson e Cara Pifko. A fotografia é coordenada por Phil Parmet.


A proposta parece bacana, à primeira vista. Ao mostrar alguém que passa a desafiar o sobrenatural e se conectar com vários tipos de crenças, o filme abre espaço para uma união bizarra de todos os males, em uma versão "mais crível" do Exorcismo de Emily Rose. Além disso, nos dá a oportunidade de acompanhar um filme de possessão através dos olhos atormentados do próprio possuído, nos livrando um pouco dos vários clichês da família sofredora que passa o tempo todo refém do ente querido endiabrado.

Infelizmente isso não é suficiente para segurar a trama por oitenta minutos, fazendo com que a narrativa se perca dentro de seus próprios objetivos várias vezes e dando a impressão de um filme com múltiplas personalidades. Talvez seja essa a verdadeira genialidade do filme, considerando que o protagonista está possuído por várias entidades diferentes. Mas não vou colocar a mão no fogo desta vez.

Outro fator negativo é o filme seguir a fórmula que mais se banalizou nos últimos dez ano: a das famosas found footages, que nos mostram histórias inteiras contadas através de gravações supostamente encontradas, com base em filmagens de cinegrafistas amadores e câmeras de segurança. E, se fomos poupados de uma série de besteiras pelos fatores mencionados no parágrafo anterior, o formato de filmagem do filme nos entrega um monte de clichês ainda maior. O crescimento absurdo do número de filmes com base nisso, de uns tempos para cá, pode nos dizer muito sobre a nossa sociedade e a indústria dos filmes de terror. Mas essa é uma discussão que fica pra outra hora.

Em um resumo deste resumo já apresentado, A Possessão do Mal é um bom filme para aqueles que procuram um filme ruim, mas que conta com elementos que o tornam diferente de outros filmes com o mesmo nível de qualidade.
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