
SINOPSE
Chris Kyle é um atirador de elite das forças especiais da marinha dos Estados Unidos que, em dez anos (1999-2009) tornou-se uma lenda, tendo assassinado mais de 160 pessoas durante o tempo em que serviu no Iraque. Sua única missão era proteger seus companheiros.

Filmes de guerra costumam chamar muita atenção, e uma vez que o tema Segunda Guerra Mundial está cada vez mais saturado, é natural que as histórias se voltem para um tema mais atual, como o da Guerra ao Terrorismo.
Sniper Americano (American Sniper) apresenta justamente parte da guerra americana ao terrorismo, mas vangloriando um sniper que possui, ao menos, 160 mortes confirmadas. É baseado na autobiografia de Chris Kyle, entitulada: American Sniper: The Autobiography of the Most Lethal Sniper in U.S. Military History.
O filme é escrito por Jason Hall, dirigido por Clint Eastwood e estrelado por Sienna Miller e Bradley Cooper (que também está envolvido com a produção). Foi indicado em 2015 a 6 Oscars (veja aqui), dentre eles o de Melhor Filme.

Como entretenimento, Sniper Americano não falha. Sua produção é espetacular, em alguns momentos parece que, de fato, foi filmado em meio aos campos de guerra iraquianos. É quase um presente aos amantes do gênero, ver as táticas militares em funcionamento e como os soldados se portam em um campo de batalha.
Sua fotografia aposta na riqueza de detalhes, e opta por apresentar o longa de uma maneira menos orgânica e mais técnica, mas os efeitos sonoros ajudam na imersão e pontuam muito bem os momentos de tensão. Bradley Cooper também merece destaque por ter se entregado de corpo e alma ao papel, chegando a engordar 18 kg e investindo muito tempo em cursos de tiro e musculação.
Mas o grande problema, que vem gerando discussões ao redor do mundo, é o fato de seu roteiro, baseado em fatos reais, ser simplesmente unilateral. Chris Kyle realmente é considerado um herói norte-americano, serviu ao Navy SEALs e é apontado como o atirador mais letal da história militar dos Estados Unidos, com 160 mortes legalmente confirmadas, e outras centenas a mais confirmadas apenas com o testemunho de colegas militares. Mas qual o peso de tanto "heroísmo" nas costas de apenas um indivíduo?

E é aí que nasce a polêmica. O personagem Chris Kyle, no filme, não tem uma motivação forte o suficiente para justificar seus atos. Tudo gira em torno de um nacionalismo exacerbado, que provavelmente só faz sentido para os norte-americanos. Seus atos não parecem apresentar uma consequência psicológica para Kyle, sua preocupação se restringe apenas em proteger os colegas militares em campo.
O filme ainda trata os iraquianos como vilões imundos, que não merecem nada além da morte. É outra maneira de vangloriar os soldados americanos, e justificar tanta violência. Existe uma certa glamourização do poder militar, que mais parece a volta da campanha estadunidense: I WANT YOU!
De qualquer maneira é apenas uma questão cultural. Sniper Americano toca em alguns pontos que, talvez, só sejam importantes para os americanos. Cabe ao espectador decidir se vai deixar isso afetar sua experiência, ou não.

