
SINOPSE
Saoirse é uma garotinha especial, que sai em uma aventura com seu irmão para salvar o mundo dos espíritos e de outros seres mágicos como ela.

A canção do mar é aquela que se ouve quando uma grande concha é colocada próximo ao ouvido. Um simples vai e vem. Uma imensidão contemplativa, que, muitas vezes, traz ao rosto um sorriso longo, quase nostálgico. Uma "saudade de não sei o que".
Song of the Sea (Le chant de la mer) é um lindo filme europeu capaz de proporcionar esse tipo de sentimento. Possui fortes traços da cultura e do folclore irlandês e nos presenteia com uma técnica de animação que é uma obra de arte em movimento (lembra em alguns pontos o game Child of Light, leia nosso review aqui).
O filme é escrito por Will Collins e dirigido por Tomm Moore. Bruno Coulais e Kíla são os responsáveis pelas músicas e a ambientação sonora, ambas maravilhosas, que ajudam a manter o tom agradável e cativante.

O enredo gira em torno da mitologia das Selkies, presente principalmente no folclore irlandês, escocês e finlandês. Reza a lenda que essas criaturas vivem no mar em forma de foca, e quando sobem para a superfície se transformam em humanas deixando sua pele animalesca para trás, como uma espécie de casaco.
Muito diferente das sereias, quando humanas, as Selkies são gentis e apaixonantes. Podem ser ótimas amigas, companheiras e esposas, mas sua prioridade sempre será o mar. A única maneira de manter uma Selkie em terra firme, é encontrando sua pele de foca e a escondendo. Porém, se o casaco for encontrado ela não exitará em abandonar toda sua vida terrestre para regressar a seu verdadeiro lar.
No filme, Saoirse é uma Selkie encarregada de salvar um mundo de criaturas mágicas, que coexistem junto a nossa realidade, e seu irmão acaba descobrindo que todas as histórias de fantasia contadas por sua mãe eram, na verdade, histórias reais.

Song of the Sea foi indicado ao Oscar 2015 de Melhor Animação, porém, infelizmente, não levou a estatueta para casa. Dá a impressão de que os norte-americanos ainda acham que o melhor jeito de se contar uma história é seguindo o clichê Hollywoodiano. O nacionalismo exacerbado desse povo parece servir de escudo, rebatendo quase toda cultura que vem de fora dos Estados Unidos.
É uma pena que produções como Le chant de la mer não cheguem para o público brasileiro com facilidade, como é o caso de vários (e péssimos) enlatados americanos. Ainda assim é um filme que vale o esforço.
Por uma pequena brincadeira do destino, o nome do cachorro do personagem principal é Cú (sim, com acento e tudo). Apesar de não ser uma palavra ofensiva para a maior parte dos europeus, para nós brasileiros, alguns diálogos podem parecer engraçados ou até mesmo constrangedores, como, por exemplo: "–Eu voltarei para te buscar, Cú". Pois é.

