O Ano Mais Violento

Most violent year
SINOPSE
Nova Iorque, 1981. Em um dos invernos mais violentos da história da cidade, o imigrante Abel Morales e sua esposa, Anna, tentam prosperar nos negócios, mas não conseguem escapar da corrupção, decadência e brutalidade que dominam a região.


"Crime ocorre nada acontece feijoada"

Algumas vezes o espectador precisa decidir o que mais o empolga em um filme e qual é o critério para dizer se gostou ou não: o ritmo, a estória, o conjunto da obra etc. O Ano Mais Violento (A Most Violent Year) é um desses filmes.

O roteiro é assinado e dirigido por J.C. Chandor e estrelado por Jessica Chastain, Oscar Isaac, David Oyelowo e Albert Brooks, entre outros. A fotografia é comandada por Bradford Young, a música fica a cargo de Alex Ebert e o design de produção é responsabilidade de John P. Goldsmith.

O primeiro parágrafo desse texto (e, provavelmente, a ficha também) já denuncia qual é o meu grande problema com esse filme: o ritmo. O Ano Mais Violento tem diversos pontos positivos, mas o ritmo planejado para o filme causou um grande problema a quase todas as pessoas que estavam na minha sessão (talvez um problema que lembre um pouco o que houve em Foxcatcher).


Existe uma construção exemplar em relação a muitas coisas, mas, na maior parte do tempo, o espectador está se perguntando "mas quando é que vai acontecer alguma coisa?" mesmo quando existem várias coisas acontecendo. Isso acaba refletindo a própria condição do protagonista, muito bem interpretado por Oscar Isaac, que passa a maior parte do filme cego para a dimensão das coisas que acontecem, mesmo que essas coisas sejam importantes para sua vida (e, consequentemente, para a trama).

Mas Oscar Isaac não é o único a ter uma atuação digna de nota. Jessica Chastain e David Oyelowo também estão muito bem e têm personagens à altura de sua atuação. Anna, a personagem de Jessica Chastain, por exemplo, é uma mulher extremamente misteriosa, bela e que mostra não ter problema algum quando as circunstâncias a forçam a sujar as mãos. O casal formado por Anna e Abel tem duas figuras muito diferentes, mas que se complementam de forma intensa e quase assustadora.

O desenvolvimento da trama é tão interessante quanto as personagens principais. Cheio de intrigas que apontam o protagonista em um caminho que ele se recusa a seguir, por mais que já esteja ali de alguma forma, o filme consegue ser tenso e quase claustrofóbico em alguns momentos. Cercado por todos os lados é impressionante o quão grande é o nível de pressão para que Abel tome rumos ligados a entidades que ele despreza, como gangues e a máfia, mesmo que tenha uma diversidade de comportamentos e trejeitos que remetem a um verdadeiro Don.


O nome do filme, aliás, se refere ao ano de 1981, cenário temporal da estória. Este ano foi considerado, mesmo na vida real, o ano mais violento da história de Nova York. Neste aspecto, o filme é excelente. Seja pela música pontual, dividindo a parte sonora do filme com as várias notícias do rádio sobre crimes urbanos ou pela própria atitude dos policiais, quase tão aterrorizados quanto os civis, o clima de medo coletivo no filme é sempre muito bem trabalhado.

Em resumo, O Ano Mais Violento é um filme interessante e que tem muito a dizer (goste você ou não, do discurso), mas que, para ser ouvido, precisa de muita calma e atenção de seus interlocutores.
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