
SINOPSE
Reiniciando a série de jogos do gênero de hack’n slash, DMC traz o novo Dante, fruto da relação entre um demônio e uma anja. Ao lado de seu irmão Vergil e da organização intitulada The Order, Dante busca restaurar a sociedade dominada pelo demônio e vilão Mundus.

Afinal, quem deve chorar? Jogadores ou demonios?
Apesar da extensa crítica já no anúncio do que seria o reboot da série Devil May Cry, DMC foi entregue no início de 2013 para consoles e PC. Com a promessa de renovar a franquia japonesa da conhecida CAPCOM, a britânica Ninja Theory que suportou com louvável persistência a internet e suas queixas, indo do cabelo de Dante (personagem principal da franquia) ao seu estilo e personalidade. As reclamações foram de comentários nas redes sociais a até músicas feitas por fãs revoltados como “Emo May Cry (needs to fucking die)”. Sim, existiu uma polêmica e negação a respeito do jogo já em seu anúncio. Reboots dentro da indústria de vídeo games e como em qualquer outra mídia nunca são algo facilmente aceito entre seus fiéis seguidores.
Tendo esse plano de fundo em mente, já dá para imaginar a responsabilidade que os caras da Ninja Theory tinham em mãos, não apenas em reiniciar uma das mais consagradas séries de hack’n slash da história, mas também de mostrar aos fãs mais xiitas como aquele já odiado jogo poderia se tornar digno de atenção.

Os jogos originais da franquia Devil May Cry eram reconhecidos pelo desafio que representavam e isso é algo que precisamos exaltar, já que naquela época o simples ato de terminar um Devil May Cry era digno de mérito ao jogador. Entretanto, faltava algo. Havia ali apenas puzzles e a necessidade de acertar com precisão os combos de Dante, e embora aceitáveis em sua época, algumas características importantes como história relativamente cativante e personagens com maior profundidade eram peças que faltavam na série.
Com isso podemos finalmente regressar a 2013, aquele ano já distante, mas que logo em seu início entregou o tal DMC com a agradável “surpresa” da Ninja Theory.
DMC é algo saboroso, tudo é uma gostosa e viciante diversão. A estética do jogo casa com sua jogabilidade e ação desenfreada. Em vários momentos tudo se encaixa: a movimentação, os golpes o jogo de cintura com os cortes focados em Dante entre ondas de inimigos, a naturalidade em que é possível trocar o estilo de jogo entre as diversas armas que induzem o jogador a ser mais rápido e visceral, aspectos que demonstram todo o potencial do jogo, o jogador sempre se sente recompensado com a vasta possibilidade de combos e sequências. Mas mesmo que o reboot tente manter a essência dos jogos clássicos, é possível sentir a falta do desafio e a dificuldade que tanto marcaram a série original.

Bom, temos uma jogabilidade agradável e viciante, mas e quanto à história? Bem, a história não trouxe inovações ou grandes revelações, é possível notar que a desenvolvedora se manteve em uma zona segura, onde o comum e o personagem relativamente padrão são uma desculpa pra “ah, é só um joguinho”.
Dante age como um adolescente, parece não notar a consequência de seus atos ou a importância de seus feitos dentro do enredo da história, embora isso seja construção de sua personalidade baseada nos jogos clássicos, é irritante. Já falei que a jogabilidade é deliciosa?
Acredito que a resposta da Ninja Theory não parou no foco em uma jogabilidade agradável e arte impecável. Há também a trilha sonora animal. Integrada pelo trio irlandês de música eletrônica Noisia e a consistente e pesada banda de um gênero que eu desconheço (aggrotech) Combichrist, temos ritmos e sons que acompanham e envolvem o jogador no âmbito de querer mais ação, as músicas seguem cada fase evoluindo e empolgando, são tão boas que é possível escutar cada uma delas durante o dia fora do jogo.

DMC superou expectativas e mostrou que é possível renovar na indústria de games. Mesclou direção artística com level design e, embora não seja perfeito em sua história, empolga e é tão importante na cena de hack’n slash quanto o seu antecessor. DMC mostra que Dante está ali para castigar demônios e não o contrário.
