Vício Inerente


SINOPSE
O novo longa de Paul Thomas Anderson segue a estória de Larry "Doc" Sportello, um detetive particular hippie que se vê em uma investigação envolvendo máfia, assassinatos e desaparecimentos nas ruas de Los Angeles.




"O que que há, velhinho?"

Existem filmes comuns, existem filmes fora da curva e, em algum lugar nessa névoa criada entre os diversos tipos de filmes, surge Vício Inerente (Inherent Vice). Isso pode ser confirmado, ou pelo menos apontado, pelo fato de que o filme ainda não estreou e também não tem data para estrear no Brasil, mesmo sendo um dos indicados ao Oscar de 2015.

Baseado no livro de Thomas Pynchon, o roteiro é assinado e dirigido por Paul Thomas Anderson e estrelado por Joaquin Phoenix, Katherine Waterston e Josh Brolin, entre outros. David Crank coordena a direção de arte, enquanto a fotografia é responsabilidade de Robert Elswit e é Jonny Greenwood quem fica responsável pela ótima trilha sonora.

E talvez "ótima" não seja um adjetivo à altura da trilha sonora deste filme. Apesar de a trilha estar intrinsecamente ligada à cultura hippie e nos colocar muito bem naquela vibe, algumas vezes existe um distanciamento, seja para pontuar alguma situação mais específica ou em para mudar um pouco o clima, em alguns outros casos.


Uma outra colaboração da música para o filme é em relação ao ritmo. Uma vez que a estória é "complexa" e longa, a música, junto com uma pegada meio humorística da trama, nos guia através das duas horas e meia de filme com uma facilidade muito grande, fazendo a primeira hora de filme, por exemplo, passar despercebida.

Outro fator que ajuda muito a construir a atmosfera hippie do filme é a direção de arte (design de produção). Os ambientes estão muito bem construídos, com carros, objetos e decoração no geral muito característicos. A equipe de cabelo e maquiagem, junto ao figurino, também são de grande valia, uma vez que a caracterização das personagens também nos ajuda a entrar no clima.

A narrativa, em si, é bem diferente do que vemos comumente. A imersão na cabeça do investigador protagonista, cheia da névoa provavelmente trazida pelo incessante consumo de maconha, nos leva a lugares estranhos e a situações improváveis, que nos fazem o tempo todo questionar aquilo que estamos vendo, a fim de solucionar o mistério que o protagonista se dispõe a investigar.


E, aliás, não é um mistério que seja passível de solução convencional. Nesse sentido, o filme realmente é fora da curva. Quanto mais o espectador se esforça para entender o mistério, seja de forma lógica ou de forma ilógica, maior será a frustração no final ao perceber que, entre as dez soluções possíveis, a apresentada pelo filme não se encaixa exatamente em nenhuma delas. É quase como se o filme trapaceasse, em alguns momentos. Mas é uma brincadeira que vale a pena acompanhar.

Por outro lado, mesmo que a música ajude bastante o espectador a engatar no ritmo da narrativa, o formato apresentado ainda consegue ser um pouco cansativo. A estrutura quase se assemelha à de um seriado, considerando que, em cada episódio, é resolvida uma parte do grande quebra-cabeças que é a temporada. Ao final do filme, realmente me vi fazendo essa comparação e imaginando se o formato de seriado não se encaixaria melhor nessa proposta.

No fim das contas, Vício Inerente é um filme com ótimas atuações, uma ótima trilha sonora e um clima interessante que entregam, propositalmente ou não, uma trama irregular pela mente de um detetive hippie que precisa se resolver antes de resolver seus assuntos. Sem dúvida, é uma bad trip que vale a pena curtir.
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