
Quando a Terra é invadida pelos confiantes Boov, todos os humanos são prontamente deslocados, enquanto os Boov se ocupam de organizar o planeta. Porém uma esperta garota chamada Tip consegue evitar ser capturada e acidentalmente transforma-se em cúmplice de um Boov exilado chamado Oh. Os dois fugitivos percebem que há muito mais em risco que um simples dano às relações intergaláticas e embarcam na aventura de suas vidas.

É muito bom notar que a força da DreamWorks Animation frente aos outros estúdios de animação populares vem crescendo de forma impressionante nos últimos anos. Mesmo que algumas maluquices ocorram (Como Treinar o Seu Dragão 2 perdendo Oscar de Melhor Animação para Operação Big Hero, por exemplo), é possível ver o potencial apresentado desde Shrek e Madagascar sendo muito bem aplicado, em texto ou estética. Cada um na sua Casa (Home), infelizmente, só é um exemplo deste segundo.
Com base no livro de Adam Rex chamado The True Meaning of Smekday, o roteiro é assinado por Tom J. Astle em parceria com Matt Ember e dirigido por Tim Johnson. No elenco de dublagem original estão Jim Parsons, Rihanna e Steve Martin entre outros. A trilha sonora é responsabilidade de Lorne Balfe, com algumas músicas da própria Rihanna.
Existem fórmulas narrativas que, mesmo não lembrando de exemplos pontuais, nos causam aquela estranha sensação de "eu já vi isso em algum lugar". Causa até um estranhamento, em determinados momentos, o fato de este filme não fazer um esforço considerável para disfarçar que se apropriou de algumas destas fórmulas narrativas. Acompanhando a estória de Oh, o alienígena recluso dos outros habitantes de seu planeta, e seu encontro com Tip, que vira sua nova família, o filme tem muito espaço para abordar conceitos de amizade, apresentar e contestar alguns valores e desenvolver todo o texto padrão para filmes que seguem essa linha narrativa.

Não imagine, apesar dos dois parágrafos anteriores, que o filme seja ruim. É claro que é uma fórmula batida, mas, pela forma que é apresentada, fica claro que o filme é feito para crianças. Então, de certa forma, esse tipo de repetição não deveria incomodar. Muito pelo contrário.É muito bacana que alguém decida fazer um filme verdadeiramente infantil. É uma pena para quem gosta de animações mais elaboradas, que tenham diversas camadas, que acabam conversando de maneira diferente com pessoas diferentes, como é o meu caso.
Quando se fala em valores técnicos, por outro lado, o tom da conversa muda. A direção de arte do filme, por exemplo, impressiona desde o design diferenciado mas amigável dos Boov, até a imaginação de um Planeta Terra totalmente diferente do nosso, com gravidade modificada, grandes ilhas nos céus etc. A imaginação sobre o funcionamento da tecnologia dos amigáveis invasores alienígenas também é muito interessante. Mas isso não se aplica só ao que é inexistente. O próprio trabalho empenhado em mostrar algumas diferenças entre a arquitetura americana e a européia é sutil ao mesmo tempo em que é efetivo.

A trilha sonora também faz um trabalho muito bom, mas com ressalvas. As canções da Rihanna apresentadas no filme, com algumas poucas exceções, parecem vários trechos de uma grande música chata. O lado bom é que estas ocupam pouco espaço do filme e abrem espaço para a ótima trilha incidental, que mexe com vários estilos diferentes de músicas e chegam até a dar um show à parte.
Em resumo, Cada um na sua Casa apresenta uma estória que você já conhece de cor (inclusive quando tenta mostrar uma coragem que não tem), mas faz isso de forma divertida e carismática, valendo o ingresso.
