
Quando Tony Stark tenta reiniciar um programa de manutenção de paz, as coisas não dão certo e os super-heróis mais poderosos da Terra, incluindo Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Hulk, Viúva Negra e Gavião Arqueiro, terão que passar no teste definitivo para salvar o planeta da destruição pelas mãos do vilão Ultron.

"Não há cordas em mim."
É assim que se declara a inteligência artificial que toma o posto de vilão de Vingadores: Era de Ultron (Avengers: Age of Ultron), desde os primeiros videos promocionais do filme. Com a promessa de uma trama mais centrada nos seres humanos e o que representam, o novo filme da Marvel Studios deixou claro que o estúdio se encontrou com Capitão América 2.
O roteiro é escrito e dirigido por Joss Whedon, com base nas histórias em quadrinhos de Stan Lee e Jack Kirby. Robert Downey Jr., Chris Evans, Scarlett Johansson e James Spader são alguns dos vários nomes que estrelam este filme. A cinematografia é comandada por Ben Davis, que exerceu a mesma função em Guardiões da Galáxia, e a música é comandada por Danny Elfman e Brian Tyler.

Antes de tudo, é preciso dizer que Vingadores: Era de Ultron é, seguindo uma prática bastante comum nos quadrinhos, uma continuação de Vingadores. Existe um vácuo entre as estórias propostas nas aventuras solo dos heróis que compõem a equipe, de forma que o filme acabe funcionando mais como uma continuação do próprio Vingadores, de 2012, do que das tramas subsequentes apresentadas nos filmes que iniciaram a "Fase 2 da Marvel nos Cinemas". Alguns elementos estão lá, mas aparecem mais como detalhes do que como causas para os eventos que acompanhamos aqui.
O filme já se inicia muito bem, com uma sequência de ação bastante empolgante, que contém boa parte das cenas apresentadas nos trailers. Apesar do início explosivo, que logo situa o espectador em relação ao que virá, a ação é bem construída antes de chegar ao seu ápice. É um bom exemplo de como começar um filme de ação mostrando ao que veio, ao contrário de certas bombas, como O Hobbit: a Batalha dos Cinco Exércitos.
E se estamos falando de bons exemplos, precisamos falar sobre Ultron. O vilão tem uma introdução excelente e extremamente eficiente deixando claro, logo no início, suas intenções e as motivações por trás delas. Além disso, a mensagem vai sendo reforçada e até aprimorada de acordo com o andamento do filme e a jornada, cada vez mais intensa, do robô na megalomania causada por sua loucura. Além de toda essa carga densa, ele consegue ser tão bem humorado quanto seu criador, também conhecido como Homem de Ferro. Ultron talvez seja a melhor personagem do filme e dá aula em muita ficção científica por aí (como Chappie).

Além disso, a personalidade bem acertada de Ultron só prova que enfim a Marvel Studios acertou o tom de seus filmes, abandonando a fórmula idiota de humor utilizada em Thor 2 e Homem de Ferro 3, por exemplo. As piadas acontecem quando precisam acontecer e não comprometem em nada o clima do filme. Além disso, o filme se leva a sério em mil maneiras que o primeiro Vingadores não conseguiu sequer chegar perto. Mais importante que isso: consegue levar o espectador a fazer o mesmo. A luta entre Hulk e o Homem de Ferro na Hulkbuster, por exemplo, se mostra como um evento mais urgente e catastrófico que tudo que aconteceu na Invasão Alienígena de Nova York de 2012.
O filme conta com atuações boas e ruins. A maioria dos atores já está muito confortável nos papéis, mas os vingadores novatos, principalmente Aaron Taylor-Johnson (que parece estar sempre ensaiando) ainda não demonstram muita confiança. Algumas vezes o sotaque fica tão forçado que acaba tirando o espectador do filme. Já com James Spader, a impressão é de que ele passou a vida interpretando Ultron.
E se a maioria dos Vingadores está claramente à vontade nos devidos papéis, a equipe de coreografia tem mais espaço para trabalhar. As lutas do filme estão MUITO boas e a interação entre as personagens está muito maior. Capitão America e Thor, por exemplo, estão com uma ótima sincronia e funcionam muito bem como dupla, criando combos dignos de uns bons jogos de luta. A mesma sincronia acontece entre Ultron e seus vários corpos. É uma pena que, no caso dele, essa sincronia tenha sido abandonada durante as cenas de luta.

Mas nem tudo são flores neste Vingadores. O filme tem algo em torno de duas horas e meia e conta com alguns momentos bastante desnecessários. O roteiro se esforça muito para criar profundidade e nos apresentar um pouco mais de algumas personagens como Gavião Arqueiro e Viúva Negra, mas, apesar de a tentativa funcionar no caso do primeiro, o tiro sai pela culatra quando se fala na segunda. Além disso, existe um investimento muito grande em criar um romance "bonitinho", mas sem sentido entre duas personagens que não dá em NADA, mas dura o filme TODO! Por favor, parem.
Além disso, em muitos momentos Ultron não demonstra ser, em termos de consciência coletiva, metade da ameaça que ele representa em determinados momentos do filme. A luta contra o Hulk, por exemplo, acaba parecendo mais importante para o mundo do que a luta final contra Ultron, mesmo que esta envolva riscos, segundo as personagens, aos quais o mundo inteiro é submetido. Aliás, parece ter faltado um pouco do Fator Humano neste filme, que é tão etnocêntrico. Sem o ponto de vista civil, o clímax do filme não é tão climático.
E se a luta do Homem de Ferro contra o Hulk é tão mencionada aqui, é porque esta é o momento em que melhor souberam utilizar o Gigante Esmeralda desde o filme com o Edward Norton. Durante vários momentos de A Era de Ultron, o fato de que os roteiristas não sabem o que fazer com o Hulk é bastante visível. Isso é confirmado no terceiro ato do filme.

Para terminar, acho que é bacana falar sobre os ganchos que este filme entrega para os próximos, principalmente quando se fala em Capitão America: Guerra Civil e Thor: Ragnarok. Os pontos vão sendo colocados de forma praticamente orgânica e, para o espectador desavisado, são quase invisíveis. É o tipo de coisa bacana que não percebemos agora, mas, se assistirmos depois da chegada dos próximos filmes do Capitão e do Thor, perceberemos que algumas coisas cumprem, praticamente, a função de anunciação dentro deste filme.
Em resumo, Vingadores: Era de Ultron é O Summer Movie de 2015 e DEVE ser visto.
