Liga da Justiça: Deuses e Monstros

SINOPSE
Em um universo alternativo, a Liga da Justiça é composta apenas por Superman, Batman e Mulher-Maravilha, que são heróis bem mais brutais do que conhecemos. A opinião pública se volta totalmente contra eles quando são acusados de assassinar as mentes mais brilhantes do universo DC.

"O passado é como um outro planeta." - Superman

Algumas coisas são como são por algum motivo. Seja por tradição ou por dificuldades relacionadas à mudança. Algumas outras coisas, eventualmente, podem mudar. Nesse caso, é importante que todos os envolvidos no processo estejam preparados ou que, pelo menos, estejam em processo de preparação. Se alguma das partes falha, as coisas podem acabar de um jeito não muito interessante.

Atualmente é esse o problema da DC Comics: pouquíssimo tempo depois do início da sua nova era de quadrinhos, chamados de Novos 52, a editora está novamente em processo de reboot. A ânsia por coisas novas levou a editora (e a Warner Bros., eventualmente) a caminhos estreitos e tortuosos, nos quais a luz no fim do túnel nem sempre está presente. Este é o caso, também, da nova animação, chamada de Liga da Justiça: Deuses e Monstros (Justice League: Gods and Monsters).

A animação é escrita por Bruce W. TimmAlan Burnett, com base nas personagens já existentes da DC Comics, e dirigida por Sam Liu. No elenco original de dublagem estão Michael C. HallTamara Taylor e Benjamin Bratt, entre outros. A música é orquestrada por Frederik Wiedmann, e a animação das personagens desenhadas por James Tucker é checada por Justin Schultz.


A proposta é muito boa: um universo alternativo, no qual o bem e o mal estão entrelaçados, como uma cadeia de DNA (inclusive literalmente) e é possível que as novas versões dos heróis já conhecidos pelo público sejam as maiores representações disso. Infelizmente, a execução não faz justiça à intenção. É o tipo de situação na qual o filme, na verdade, é totalmente decepcionante quando comparado com o trailer. Infelizmente.

O design das personagens é muito interessante, puxando referências a alguns vilões e até mesmo ao lado negro de cada uma das personagens clássicas. Por outro lado, a animação é estranha e, em alguns momentos, chega a ser ruim. Alguns movimentos parecem duros e nada naturais. Consequentemente, as lutas são prejudicadas e o fato de não existir sequer uma que seja interessante durante toda a animação ajuda a evidenciar isso. Para combinar com os aspectos visuais controversos, a  trilha sonora não é nada inspirada, mas não chega a incomodar. Está ali, faz seu trabalho e é isso.


A trama envolve vários nomes conhecidos dos diversos universos da DC Comics, como Lex Luthor, Ray Palmer, Darkseid etc. e, constantemente, os apresenta em alguma situação que remeta o público às suas versões clássicas. Esta iniciativa é digna de nota, mas, assim como o resto do filme, é mais interessante na teoria do que na prática. Na corrida contra o tempo para apresentar o máximo possível de personagens, a animação acaba investindo partes do seu já curto tempo em cenas ou momentos que não são narrativamente relevantes. É muita empolgação para pouca preocupação.

Em resumo, Liga da Justiça: Deuses e Monstros é um bom exemplo da parte ruim da corrida da DC Comics e da Warner em direção a novos universos e novas histórias, enquanto busca por reinvenções que esteja no mesmo nível das que tornaram a editora tão mística, como O Reino do Amanhã e o Ponto de Ignição.
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