
Ethan Hunt descobre que o famoso Sindicato é real, e está tentando destruir o IMF. Mas como combater uma nação secreta, tão treinada e equipada quanto eles mesmos? O agente especial tem que contar com toda a ajuda disponível, incluindo de pessoas não muito confiáveis...

"Desperate times, Desperate measures."
Tom Cruise está passando por uma crise de meia idade. Sua empolgação crescente em relação a filmes de ação nos últimos ano parece, com todo o respeito, uma tentativa de mostrar que, apesar de já ter passado dos 50, ainda tem muito a fazer como o astro de ação que tem sem empenhado para ser atualmente. E tem mesmo. Pelo menos é o que aparenta, depois de uma sessão da Missão Impossível: Nação Secreta (Mission: Impossible - Rogue Nation).
Escrito por Drew Pearce em parceria com Christopher McQuarrie, com base na série original de Bruce Geller, o filme é dirigido por McQuarrie e estrelado por Tom Cruise, Simon Pegg, Rebecca Ferguson e Jeremy Renner. A trilha sonora fica a cargo de Joe Kraemer, enquanto a cinematografia é coordenada por Robert Elswit.
Missão: Impossível é uma franquia cinematográfica que sempre se renova, desde o primeiro filme, lançado em 1996. Alguns aspectos do seriado original são muito referenciados, como a abertura presente no início de todos os filmes, mas muito se renova a cada nova investida e, ao comparar a mistura de espionagem e ação deste Nação Secreta com o thriller de suspense que foi o filme de 96, por exemplo, pode-se perceber o quanto o clima dos filmes muda sem, de fato, alterar o DNA da franquia.

Imagino que um dos fatores determinantes para isso seja a constante mudança de diretores. Todos os filmes têm diretores diferentes e isso é muito interessante pois mostra aquele universo a partir de várias perspectivas diferentes. E a visão de McQuarrie, que chega a fazer uma reflexão totalmente metalingüística sobre a relevância de uma agência como a IMF nos dias atuais, é interessantíssima.
Ao misturar o clima de espionagem do primeiro filme ao contexto de ação no qual vivemos hoje, o cineasta (que já tem certa experiência com tramas intrigantes) mostra que Ethan Hunt, mesmo sendo um maníaco por ação, sabe bem quando é a hora de atirar ou a hora de blefar. Esse truque é constantemente bem aproveitado, uma vez que Hunt está sendo caçado novamente, tanto por sua agência quanto por uma nova organização chamada O Sindicato, que decide sair das sombras para levantar a anarquia.
Mas esse foco tão grande torna o filme totalmente dependente deste mesmo Ethan Hunt, uma vez que se aproveita muito pouco de todo o resto da equipe e deixa de fora um dos aspectos mais interessantes da franquia, que é a colaboração entre os vários agentes. A presença de uma nova parceria com potencial para o desenvolvimento de um interesse romântico, na pele da agente Ilsa Faust, aumenta ainda mais este afastamento entre Ethan e seus companheiros.

Por outro lado, é por causa dela que temos uma ótima construção do que considero ser o melhor do filme: sua trilha sonora. Ao combinar a clássica música tema da franquia com acordes da famosa ópera Turandot, apresentada em um momento-chave, o filme mostra o quão versáteis são McQuarrie e Kraemer. A junção orgânica de temas tão diferentes, ainda adicionada de toques de suspense em alguns momentos, gera uma trilha que, definitivamente, merece nota.
As atuações também estão impressionantes. A maioria dos atores já tem um timing bem ajustado, por já terem trabalhado juntos, mas Rebecca Ferguson e Alec Baldwin conseguem se encaixar muito bem na equipe. Além disso, a decisão de Tom Cruise de fazer algumas cenas sem dublê, apesar de não ser novidade para os espectadores de Missão: Impossível, ainda é o suficiente para deixar muitos impressionados com a determinação do ator.
Em resumo, Missão Impossível: Nação Secreta mostra o quão relevante Tom Cruise é para os filmes de ação atuais e o quão criativa uma franquia pode ser, mesmo depois de 20 anos e 5 filmes.
