
SINOPSE
Nova aventura para os cinemas do consagrado grupo de super-heróis da Marvel, formado pelo Senhor Fantástico, Mulher Invisível, Tocha Humana e Coisa, que ganham seus poderes quando as coisas dão errado em uma viagem interdimensional..

Três vezes e contando...
O próprio nome Quarteto Fantástico já levanta muitas sobrancelhas quando mencionado no meio cinematográfico. O tratamento incerto dado pela Marvel à equipe de super heróis nos quadrinhos, por causa dos direitos cinematográficos detidos pela Fox, aumenta ainda mais essa desconfiança em relação ao título. Em meio a tantas adversidades (sem contar a memória recente dos dois últimos filmes), no meio de 2015, surge mais uma tentativa de levar os heróis às telonas.
O filme, escrito a seis mãos, é dirigido por Josh Trank e estrelado por Miles Teller, Kate Mara, Michael B. Jordan e Jamie Bell. A música fica sob responsabilidade de Marco Beltrami e Philip Glass, enquanto Matthew Jensen se encarrega da fotografia. Como um adicional, Mark Millar consta na ficha técnica do filme como consultor criativo.
Mesmo que poucos, mesmo que tímidos, os trailers da nova investida do Quarteto Fantástico no cinema foram chegando e dando o tom da aventura pela qual a equipe passaria neste filme. Muito se falava sobre o cenário típico de ficção científica e das referências saudosistas levantadas pelo filme, lembrando muito o Super 8, do J.J. Abrams. No fim das contas, depois de ver o filme, percebe-se duas coisas: a primeira é que a junção dos trailers conta o filme quase inteiro, a segunda é que ele engana a todos nós.

Essa enganação ocorre porque o filme apresenta duas personalidades totalmente diferentes. Por um lado, uma aventura adolescente de ficção científica que renderia facilmente um filme bastante interessante, envolvendo realidades alternativas e sonhos de grandeza. Por outro, apenas mais uma história de heróis lutando para salvar o mundo, que é no que o filme se transforma ao se aproximar do fim.
E como é nociva, essa velha fórmula da aventura de herói! Se não fosse por ela, provavelmente não teríamos uma sequência de eventos que leva ao que foi, provavelmente, a batalha final mais frustrante em muito tempo. A mitologia criada é de um vilão cujos poderes telecinéticos são totalmente surpreendentes e complexos, mas o super grupo resolve a situação de uma forma tão simples que a sequência inteira parece ter sido feita às pressas e ainda sofrido cortes durante a edição. Horrível!
Mas o filme tem seus méritos. Sua maior parte acontece antes de as personagens começarem a apresentar seus poderes e desenvolve muito bem tanto as características de cada um quanto suas relações com os outros integrantes do grupo. Inclusive, existem momentos em que as personagens são colocadas em situações que dão dicas dos poderes que estão por vir. É um trabalho competente de construção.

Os efeitos visuais talvez sejam tão confusos quanto o próprio filme. Algumas cenas são visualmente incríveis, enquanto outras parecem ter saído de algum episódio de seriados de ficção científica com baixo orçamento. A trilha sonora segue um caminho diferente, mas igualmente problemático. Isso é perceptível quando, ao final do filme, você percebe que não se lembra sequer de ter ouvido alguma música durante o decorrer da história.
Em resumo, o Quarteto Fantástico continua sendo uma aposta insegura por parte da Fox, que errou por pouco e transformou um bom filme de ficção científica em um fraco filme de super herói.
