
SINOPSE
Fascinado pelo planeta Terra e a humanidade, o Doutor está sempre acompanhado de um terráqueo enquanto viaja na sua máquina do tempo, a TARDIS, por todos os cantos do universo e da história. Nesse cinquentenário, o Doutor foi interpretado por doze atores, cada um deles uma encarnação diferente do personagem, com personalidades e trejeitos peculiares. Doze autores que foram conquistados pelas peripécias do Doutor, alguns desde que eram crianças, e que agora compartilham com os fãs doze visões muito particulares do personagem mais cativante deste lado da galáxia.

Inspirado na série de ficção científica do canal britânico BBC, Doctor Who: 12 Doutores, 12 Histórias é formado por doze contos escritos por doze diferentes autores, sendo cada um focado em uma das regenerações do protagonista da série: o Doutor, um alienígena que viaja pelo tempo e espaço na TARDIS, uma nave no formato de cabine policial, e que tem a capacidade de se regenerar, mudando assim totalmente sua aparência. Essa característica permite que o personagem seja interpretado por diversos atores e constantemente reinventado sem que se perca a essência da série. Foi essa particularidade que possibilitou a tantos autores de estilos diversificados que colaborassem com seus trabalhos em uma coletânea feita de fãs para fãs.
Durante a leitura é possível notar o cuidado que os escritores tiveram em se manter fiel à mitologia série, aos trejeitos do ator que interpretava o Doutor em questão e até na identificação do momento em que os acontecimentos ocorrem dentro da linha do tempo estabelecida pela série. É gostoso e identificar as várias referências, muitas delas inclusive à regenerações futuras.
Por outro lado, só ter acompanhado algumas temporadas não atrapalha o livro. Não vi todos os episódios da série clássica (iniciada em 1963, é considerado parte da série clássica desde o Primeiro até o Oitavo Doutor. A série nova teve início em 2005 com o Nono Doutor), mas alguns dos meus contos preferidos estão entre os protagonizados por esses Doutores, devido aos desenvolvimentos e às tramas.

É curioso notar como os desdobramentos e o ritmo lembram muito o clima que a série possuía durante as temporadas protagonizadas pelo Doutor do conto. Somada ao fato de que, assim como situações inteiramente inéditas, é possível encontrar vilões clássicos da série; essa semelhança com os episódios faz a leitura, no geral, ser divertida e dinâmica.
Apesar de se manterem fiéis à obra original, os autores não decepcionam seus admiradores pessoais: elementos característicos de seu estilo estão presentes. Como fã de alguns dos escritores, isso tornou o resultado duplamente especial para mim. Porém, por se tratar de um trabalho em conjunto, existe uma desigualdade de fluidez nas narrativas. Não chega a diminuir a qualidade, mas é algo que se nota.

A estrutura do livro e a forma com que os contos foram escritos também são um ponto a favor: cada história possui pequenos capítulos e tem início, desenvolvimento, clímax e resolução. São separados por uma página que, abaixo da silhueta do protagonista e sua identificação, anuncia o nome do autor e o título. É bonito, prático e agradável de ler.
Doctor Who: 12 Doutores, 12 Histórias tem apenas uma ressalva: quem não gostou da série definitivamente não vai entender o apelo. Já para os fãs, é uma obra indispensável. Recomendado para todas as faixas etárias, além de oferecer uma leitura inédita de autores já conhecidos e proporcionar um primeiro contato com outros de diversos gêneros como ficção científica, fantasia e romance; o livro é uma maneira única de revisitar personagens queridos em uma mídia diferente.
