Mr. Robot - 1ª Temporada

SINOPSE
Elliot é um jovem programador que trabalha como engenheiro de segurança virtual durante o dia e como hacker vigilante durante a noite. Elliot se vê numa encruzilhada quando o líder de um misterioso grupo de hackers o recruta para destruir a firma que ele é pago para proteger.

Where is my mind?

A televisão está chegando a um padrão de qualidade absurdo. Séries como Breaking Bad, True Detective etc. mostram o quão maduro o formato está se tornando e o quão atraente a mídia está ficando, mesmo para os padrões de Hollywood. Amadurecimento narrativo, estético e técnico (elenco e maquinário dignos de cinema) marcam essa nova era e Mr. Robot tenta, com todas as forças, se tornar um dos exemplos.

Criada por Sam Esmail, a série conta com vários diretores e roteiristas. No elenco estão Rami MalekCarly ChaikinPortia DoubledayChristian Slater, entre outros. Mac Quayle é responsável pela trilha sonora da série e os créditos pela direção de fotografia são divididos entre Tod CampbellTim Ives.

A série tem um apelo muito grande direcionado a críticas sociais baseadas, principalmente, na sociedade de consumo e na nossa confiança cega no mundo cibernético, entregando dados que vão desde os nosso hábitos mais banais até as nossas contas bancárias. Elliot, por ser um hacker alheio às convenções sociais, tem mais contato direto com as pessoas através dos hacks que executa do que no mundo "físico". É através da mente dele que acompanhamos a trama, uma vez que a série se utiliza de quebra da quarta parede e o protagonista, que também é narrador, se dirige diretamente a nós, que estamos assistindo a série.


A trilha sonora é incrível. Tanto a trilha incidental quanto as músicas propriamente ditas têm uma conexão com o contexto apresentado que nos traz arrepios. Seja quando apresenta a interpretação de Neil Diamond da música If You Go Away (versão em inglês de Ne me quitte Pas) ou quando apresenta uma adaptação instrumental de uma música famosa em um momento chave, para pontuar uma referência apresentada anteriormente, a parte sonora da série nunca deixa de acrescentar.

Visualmente, Mr. Robot não é sempre tão certeira. Varia entre o comum, a homenagem e a experimentação. Quando sai do comum para homenagear alguma de suas referências, fica tão óbvio que chega a incomodar. É como se fosse feita uma enorme colagem de planos, para deixar bem claro de onde foi que eles saíram. A parte da experimentação, por sua vez, também varia entre o que funciona e o que só mostra intenção, sem qualquer função narrativa.

O problema começa quando a série começa a exagerar nas referências, como quem avisa, desde o início, o que está pretendendo fazer. Acaba por repetir as fórmulas apresentadas por seus ídolos e tenta dar tanto apelo dramático a esses eventos que parece estar declarando que pode fazer melhor. É como se estivesse pedindo para que seu público a torne mais do que ela é.


Ao pesquisar sobre a série para escrever esta crítica, descobri que a intenção do autor era, na verdade, criar algo em formato de filme e que essa temporada seria algo equivalente a seu primeiro ato. Isso nos diz, principalmente, que momentos-chave da temporada, incluindo alguns plot-twists (que, na série, forçam bastante a barra), não passariam de informações apresentadas no que seria o início do filme. A trama foi, então, adaptada para a televisão, esticada e explorada de tal forma que, mesmo que ainda seja interessante, acaba sendo desconfigurada.

Em resumo, Mr Robot tem um formato que não se sustenta como série de TV e que, por causa de sua adaptação precária, tenta fazer seus bons momentos parecerem muito mais do que realmente são, numa tentativa de justificar a estrutura irregular da trama. Apesar disso, sua primeira temporada ainda consegue se firmar como uma das mais interessantes do ano.
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