
Billy "The Great" Hope, um lutador, trilha seu caminho rumo ao título de campeão enquanto enfrenta diversas tragédias em sua vida pessoal. Além das batalhas nos ringues, ele é forçado a lutar para conquistar o amor e o respeito de sua filha, em uma busca por redenção.

"Fear no Man."
Essa frase, tatuada nas costas de um lutador de boxe prestes a entrar no ringue, é a primeira coisa que vemos em Nocaute (Southpaw). Logo vemos que o lutador é Billy Hope, protagonista do longa, interpretado por Jake Gyllenhaal. Um pouco mais para a frente, percebemos que essa é uma das únicas coisas que precisamos saber sobre ele.
Escrito por Kurt Sutter e dirigido por Antoine Fuqua, o filme é estrelado por Jake Gyllenhaal, Rachel McAdams, Forest Whitaker e Oona Laurence. A fotografia é dirigida por Mauro Fiore e a trilha sonora foi feita por James Horner, que faleceu em junho de 2015.
Antes de qualquer coisa, precisamos falar sobre Jake Gyllenhaal. Não é a primeira vez que comentamos, aqui no CCN Cast (você pode conferir isso neste link, por exemplo), sobre a ascendência incrível do ator. Sua capacidade de atuação vai além do trabalho efetuado na tela: o ator ganhou uma quantidade considerável de massa para interpretar Billy Hope, protagonista deste filme, logo após emagrecer muitos quilos para entrar na pele de Louis Bloom, em O Abutre. Seu preparo é muito perceptível e seu desenvolvimento em tela é um ótimo reflexo disso.

O resto do elenco acompanha em qualidade. Forest Whitaker e Rachel McAdams estão igualmente excelentes nos devidos papéis, mas perdem espaço para Oona Laurence, que talvez seja a grande revelação desse filme. A jovem atriz não é somente muito carismática, mas possui um alcance dramático absurdo. Em alguns momentos, em que a garota divide a tela com Gyllenhaal, a potência dramática é tamanha que se torna normal ficar com os olhos marejados. Vale acompanhar os próximos passos da atriz, também.
Visualmente, o filme tem algumas escolhas estéticas interessantes. Durante as lutas de boxe, Fuqua, em parceria com Fiore, escolhe se apropriar da visão subjetiva, que é quando vemos exatamente o que as personagens estão enxergando naquele instante. Essa escolha faz com que os próprios espectadores do filme tomem alguns "socos" na cara. Consequentemente, os momentos de ação do filme são extremamente intensos e fazem você se enrijecer na cadeira até o final. Ótimo trabalho de criação de clima e de senso de urgência.
No geral, a trama de Nocaute não é a mais original do ano. O cara perde tudo, então surge uma possibilidade incrível, mas ao mesmo tempo absurda, de conseguir restabelecer sua vida e te deixa apreensivo no "tudo-ou-nada" do fim do filme, esperando um final feliz. Mas a forma com a qual essa trama se desenvolve é interessante em vários momentos. Existem algumas escolhas narrativas no meio do caminho que fazem a diferença entre esse e alguns muitos que seguem a mesma fórmula.

Este foi um dos últimos filmes a receber a assinatura de James Horner em sua trilha sonora. Uma curiosidade é que a equipe de produção não tinha orçamento para pagar pelo trabalho do compositor, que fez o trabalho de graça por simpatia ao projeto. James Horner faleceu antes da estreia oficial do filme e algumas cópias têm uma dedicatória a ele, no início dos créditos.
Em resumo, Nocaute chega para consolidar a carreira de alguns atores, alavancar a de outros. Mostra que é possível fazer algo distinto com uma fórmula simples e até desgastada, mesmo que não seja excelente. Mas atenção: este é um drama com cenas de boxe (e não um filme de boxe com cenas de drama).
