Peter Pan

SINOPSE
O filme conta a história de como um garoto chegou à Terra do Nunca e fez contato com os seres mágicos que vivem no local, conheceu grandes futuros amigos e inimigos e se tornou o lendário Peter Pan.

"Oba, mais um filme de Profecia!" - Ninguém.

Existe uma receita de storytelling muito interessante e muito efetiva, que pode ser encontrada em boa parte das histórias que consumimos. Essa receita é conhecida como Monomito (ou A Jornada do Herói) e, assim como as receitas de bolo, precisa de muita dedicação e temperos para não ser apenas uma massa de ingredientes qualquer. Peter Pan, a partir de certo momento, parece se dedicar a desbancar essa teoria.

Com base nas personagens de J.M. Barrie, o roteiro é escrito por Jason Fuchs, dirigido por Joe Wright e estrelado por Hugh JackmanLevi Miller, Rooney MaraGarrett Hedlund. A música é coordenada por John Powell e a direção de fotografia fica a cargo da dupla John MathiesonSeamus McGarvey.

Se aproveitando de uma história clássica, contada por gerações e gerações, Peter Pan aparece com uma proposta interessante e introduz as personagens que já conhecemos de uma forma diferente. Aqui, James Hook é apenas um mineiro, escravo do grande pirata Barba Negra, enquanto Peter é um órfão levado a um mundo de fantasia, onde (e aí vem a merda) descobre que é a peça central em uma grande profecia. Mostrando a interação entre Peter e Gancho em uma outra fase, lutando juntos contra um mal comum, o filme tem muito a explorar e, talvez por isso, incomode por tomar o caminho mais fácil e sem graça.


Mas o filme não é completamente frustrante. O primeiro ato, por exemplo, se desenvolve de uma forma muito envolvente. O contexto de guerra apresentado pela realidade de Peter só não é mais interessante que a forma com a qual o pirata Barba Negra é apresentado, sendo ovacionado por toda a tripulação e por seus escravos ao som de Smells Like Teen Spirit, da banda Nirvana, em uma versão muito diferente e empolgante.

Além de Smells Like Teen Spirit, os piratas têm também sua própria versão da música Blitzkrieg Bop, dos Ramones, que é utilizada em um momento-chave do filme com um resultado totalmente irônico, tanto para quem assiste quanto para as personagens que estão ali. A trilha incidental também é interessante e talvez seja uma das maiores contribuições para o mantimento do ritmo do filme, a partir do segundo ato.

As atuações não têm nada de atrativo. O ator mais cobrado pela personagem é Hugh Jackman, que consegue fazer um bom trabalho. Para o resto do elenco, não existem momentos de grande expressividade ou até mesmo de sutileza. A maior parte do filme é bem morna, em relação a esses assuntos. Garrett Hedlund, por exemplo, tem a oportunidade de interpretar o papel mais canastrão possível, na pele de James Hook.


O que segura o filme é seu aspecto visual, que é bem planejado e incorpora muito bem o espírito aventureiro infantil que é proposto pela narrativa, como o recurso de transformar os nativos em pó colorido, por exemplo. Além disso, a utilização da tecnologia 3D foi bastante utilizada na criação de explosões e na projeção de destroços sendo arremessados contra o espectador. Isso não tem muito efeito narrativo, mas reforça o tom aventureiro e diverte especialmente o público infantil. Vale a pena experimentar.

Infelizmente, Peter Pan é um filme que faz as piores escolhas narrativas ao se entregar às facilidades de uma trama boba, baseada na jornada de um Escolhido que segue à risca os passos da Jornada do Herói e não faz o menor esforço para se diferenciar da grande massa de blockbusters sem personalidade que nos rodeia.
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