Operações Especiais

SINOPSE
Em São Judas do Livramento, interior do estado do Rio de Janeiro, o aumento da criminalidade é alarmante. Uma equipe de operações especiais da polícia é enviada à cidade. Depois de dois meses, mudanças são visíveis; os crimes diminuem. A equipe de policiais é vista como heroica. No entanto, a rigidez da aplicação das leis começa a incomodar a população e inicia-se um perigoso embate entre a polícia militar e a civil. A cidade mudará para sempre.

Não temos muitos filmes de ação produzidos no Brasil. Nosso cinema é composto, em maioria, por dramas e comédias, sendo que os primeiros são geralmente bastante centrados em situações sociais presentes no nosso país e os segundos... bom... O que importa é que não temos muitos filmes de ação, então é bacana quando nos deparamos com esse tipo de produção e ela tem uma herança perceptível do cunho social pelo qual nossos dramas são tão conhecidos.

O roteiro de Operações Especiais é escrito por Martina Rupp e Tomás Portella, sendo que este último também é diretor do filme. Entre os principais nomes do elenco estão Cléo Pires, Fabrício Boliveira e Marcos Caruso. A trilha sonora é composta por Antonio Pinto, a fotografia é dirigida por Barbara Alvarez e Ana Avelar fica encarregada pelo figurino.

A forma como a protagonista vai amadurecendo durante o filme é bastante perceptível, mas sem soar muito forçada. Essa mudança se reflete bastante no cabelo, na maquiagem e no figurino da atriz, que vão gradativamente se tornando mais sóbrios e algumas vezes chegam a ser mais significativos do que as próprias ações da personagem.


Algumas atuações também ajudam bastante a construir o ambiente, enquanto outras chegam até a atrapalhar. Cléo Pires consegue entregar uma perua incontrolável que, aos poucos, vai se tornando mais atenta e consciente, tanto de si quanto de seus arredores. Além dela, temos exemplos de dois extremos: Marcos Caruso e Fabrício Boliveira entregam atuações excelentes, enquanto Antonio Pedro Tabet (também conhecido como Kibe) transforma o "vilão" do filme em uma criatura ridícula e quebra totalmente a ameaça que ele deveria representar.

A fotografia combina bastante com a construção da ação, que é muito presente em todo o desenrolar da narrativa, mas acaba se perdendo algumas vezes. Alguns planos ainda dizem muito sobre a situação, como quando uma personagem é esmagada para fora do enquadramento para dar lugar a outra, mostrando que o diretor tem plena consciência do que quer demonstrar, ali, mas esse cuidado não é levado, por exemplo, à escolha de cores da fotografia do filme.

A presença de uma protagonista feminina é, por vezes, controversa. Ao mesmo tempo em que temos várias situações que poderiam acontecer independentemente do sexo da personagem, temos várias personagens tratando a mulher como alguém que vive em função dos homens que a rodeiam. O mais engraçado é que a maioria dos diálogos desse tipo parte justamente de outras mulheres. É um discurso que merece ser ouvido e discutido com atenção, comparando intenção e execução.


Um problema parecido acontece com a trilha sonora: existe uma construção lógica do que está sendo apresentado, mas, sem qualquer razão aparente, são inseridos outros elementos que não têm nada a ver com o conjunto da obra. O exemplo mais forte de todos talvez seja quando utilizam Teto de Vidro, da Pitty, no meio de uma cena que não tem nada a ver com a música, em qualquer aspecto.

Felizmente, Operações Especiais é um filme de ação que merece ser visto, dando aula para muitos enlatados americanos que consumimos por aqui sem pensar muitas vezes. Por outro lado, ainda não é o filme de ação sólido e não duvidável que precisamos para continuar o legado de Tropa de Elite.
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