Lugares Escuros

SINOPSE
Libby Day tinha apenas sete anos quando testemunhou o brutal assassinato da mãe e das duas irmãs na fazenda da família. O acusado do crime foi seu irmão mais velho, que acabou condenado à prisão perpétua. Desde aquele dia, Libby passou a viver sem rumo. Uma vida paralisada no tempo, sem amigos, família ou trabalho. Mas, vinte e quatro anos depois, quando é procurada por um grupo de pessoas convencidas da inocência de seu irmão, Libby começa a se fazer as perguntas que até então nunca ousara formular. Será que a voz que ouviu naquela noite era mesmo a do irmão? Ben era considerado um desajustado na pequena cidade em que viviam, mas ele seria mesmo capaz de matar? Existiria algum segredo por trás daqueles assassinatos?



Lugares Escuros é um romance de suspense de Gillian Flynn, autora também de Objetos Cortantes. A obra, lançada originalmente em 2009, só chegou ao Brasil nesse ano, pela editora Intrinseca. Nesse ano também chegou aos cinemas uma adaptação do livro, sendo a segunda obra da autora a ser transformada em filme (a outra foi Garota Exemplar).

Nesse livro, acompanhamos Libby Day: a única sobrevivente de um massacre em que sua família foi morta, com exceção de seu irmão que é acusado pela própria Libby – então com sete anos – como o autor do crime; crime que, de acordo com a polícia, foi parte de um culto satânico. Com essa proposta macabra, Flynn mais uma vez consegue prender o leitor em uma história única, cheia de reviravoltas e personagens ambíguas.


Mas o que transforma essa história que envolve possíveis cultos satânicos e assassinatos tão única que se destaca entre tantas outras? Personagens muito bem trabalhadas. Libby, a personagem principal, não é carismática. Possivelmente, nem sequer é gostável. Porém sua história e seus pensamentos possibilitam a compreensão da personagem e a gente acaba não só torcendo, mas também se afeiçoando a ela. Além disso, é interessantíssimo ver como sua mente funciona após o trauma: esse lado psicológico da obra é sempre bacana em livros do gênero e que poucos conseguem fazer com tanta maestria quanto a autora.

Dividindo o protagonismo com Libby, temos sua mãe, Patty, e seu irmão, Ben. Os dois ficam responsáveis por metade da narração, que se alterna entre capítulos em primeira pessoa, contados no presente pela Libby, e capítulos que se passam no passado e estão na terceira pessoa, apresentando os pontos de vista ora de Patty, ora de Ben. Ambos também são mais interessantes e bem trabalhados que propriamente agradáveis. De certa forma, essa é a regra geral em relação às personagens, o que, de forma alguma, prejudica a leitura. Na realidade, o oposto acontece: a leitura é ainda mais marcante pela presença de personagens imorais, perturbados, complicados e, exatamente por isso, tão reais.

Uma coisa que me agradou muito foi a forma com que o mistério foi conduzido. No início do livro, a Libby tem certeza de que o Ben é culpado e o leitor também é levado a acreditar nisso. Quando ela começa a investigar, até mesmo os capítulos que se passam no passado aumentam a dúvida sobre o verdadeiro culpado. Entre tantos finais possíveis, é muito difícil não ser surpreendido pelo desfecho.

Elenco principal da adaptação cinematográfica, com estreia em 2015

Por fim, é necessário mencionar que esse não é apenas um suspense e traz muito mais que assassinatos e reviravoltas. Gillian Flynn insere nesse livro discussões que vão desde a condição rural nos Estados Unidos até traumas na infância, passando por pobreza, violência doméstica e sensação de abandono. Porém tudo é feito de maneira muito sutil, o que não prejudica o andamento da trama.

Recomendadíssimo para quem já conhece a autora e para quem se interessou depois de assistir Garota Exemplar, Lugares Escuros é mais uma prova do talento de Gillian Flynn para o perturbador e de seu estilo único. Definitivamente, é uma história que merece uma chance.
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